Rodrigo Braga encontrou na linguagem fotográfica sua vertente ilusória plena. O mundo de Braga é abissal. Enxergamos o imaginário (ou seria, inconsciente) deste artista através da construção de signos. Que podem estar na natureza, no animal ou no seu próprio corpo. A fenda simbólica que se abre na poética do trabalho deste artista não delimita espaços ou tempos. É da esfera do improvável, do fantástico… De um campo sensível de percepção costurado pelo dilaceramento da realidade. Daí, exatamente, advém o vigor da obra de Rodrigo Braga: a sua potencialidade criativa de sublimar sua emoção, sua alma inquieta, sua busca de compreensão e questionamento da vida. Seu percurso criativo representa a investigação inexorável dos sentidos que uma imagem pode abarcar. Desta maneira, cada fotografia revela-se arrebatadora. Desde os mais antigos ensaios, sente-se uma atmosfera de embate seminal entre a realidade e o simulacro.

A arte de Rodrigo Braga é tecida em um belo e denso percurso que sempre se lapida pela investigação que descarrila a prospecção de sensações inesquecíveis. As ideias e o desdobramento de suas narrativas propõem uma dimensão visual que burla todos os parâmetros indiciais de uma imagem fotográfica. As fotografias aqui vistas são ações da força corporal. As pedras que envolvem a árvore têm a mão de Rodrigo que a fez e desfez. Quando não, reverberadas na ação performática do seu corpo. O universo fotográfico do autor remonta a um repertório peculiar, sensível e desconcertante. De alguma forma o olhar se contamina e a memória guarda o que há de tocante em sua inesquecível retórica visual e poética.

Por Georgia Quintas, dezembro de 2009.

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